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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estratégia Social XLII

Moderar a antipatia

Baltasár Gracián: Odiamos gratuitamente alguém, mesmo antes de conhecer-lhes as qualidades. E às vezes tal aversão espontânea se volta para os homens eminentes. Que a prudência a controle: não há maior descrédito do que detestar os superiores. Tanto é vantajoso tratar co msimpatia os heróis, quanto desonroso tratá-los com antipatia.

ATENA: Estarmos atentos às nossas antipatias e simpatias inconscientes e "naturais" é observarmos nossos padrões internos de identidade e aversão. Em geral quando não nutrimos uma boa relação com algo que nos é completamente estranho, é porque esse algo "estranho" nos revela algo de nós mesmos que não gostaríamos de ver. O que nos importa em relação à Liderança e Estratégia é justamente focarmos em nossas metas e na melhor maneira de nos encaminharmos em direção a elas. Se uma pessoa pode nos auxiliar ela é um possível "sócio" em nossa empreitada, se essa mesma pessoa não pode nos auxiliar em nada, preocuparmo-nos com ela ou sentirmos antipatia por ela é, apenas, perda de tempo, energia e foco.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Estratégia Social XLI


Usar, mas não abusar, das intenções ocultas

Baltasar Gracián: E, acima de tudo, não as revelar. Todo artifício deve ser disfarçado, pois desperta suspeita, em especial as intenções ocultas, que são odiosas. O engano é comum, portanto previna-se.. Mas esconda sua cautela dos outros, para que não percam a confiança. Uma vez patente a cautela ofende os outros e induz vingança, despertando males não imaginados. Agir refletidamente nos dá uma grande vantagem. Nada proporciona mais alimento para o pensamento. A maior perfeição de uma ação depende da maestria com que a executamos.

ATENA: Nem todas as intenções podem ser patentes à primeira vista. Para que tudo chegue a um bom término é preciso que algumas metas só se tornem claras no momento oportuno. E saber observar toda a dinâmica das variáveis envolvidas no sistema em que nossa meta se encontra é a única forma de percebermos o melhor momento, a ocasião mais oportuna de se esclarecer todos os intentos. Muitas metas jamais chegariam a ver a luz se não tivessem sido devidamente escondidas nas trevas por um grande período de "incubação" interna. Algumas intenções são mais robustas e não se ferirão ou perderão forças com o convívio social, outras, no entanto, necessitam de maior cuidado e atenção para que cresçam sadias e desenvolvam todo o seu potencial.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estratégia Social XL

Tratar com simpatia os grandes homens


Baltasar Gracián: O Herói se combina com heróis. Tal capacidade, chamada simpatia, constitui uma maravilha da natureza, por ser tão misteriosa quanto benéfica. Existe afinidade de coração e de temperamento, e os efeitos da simpatia se parecem com os que o vulgo atribui às poções mágicas. Essa simpatia, além de nos ajudar a ganhar a estima, faz com que os outros se inclinem para nós, granjeando rapidamente sua boa vontade. Persuado sem palavras, conquista sem mérito. Existem a simpatia ativa e a passiva, e ambas operam maravilhas quando ornadas de qualidades sublimes. Requer grande habilidade conhecê-las, distingui-las e tirar proveito delas. Não há esforço que baste se não houver tal privilégio misterioso.

ATENA: É comum, em nossa sociedade hipercompetitiva, que se esqueça o foco principal do trabalho e que o indivíduo se perca em observar o vizinho com desdém, desconfiança e medo. Essa é a mentalidade de um covarde e um covarde não tem méritos. O medo gera a intolerância e o ódio, que alimenta a inveja e a competitividade sem foco. Essa espécie de competitividade é característica de quem perde o foco na meta e transforma o que vê como "concorrente" na meta. É a estratégia básica do medroso querer que todos vivam na insegurança como forma de mascarar sua própria ausência de foco, de plano, de criatividade ou autonomia. Só os corajosos, só os autônomos e verdadeiramente conscientes de si e de suas capacidades são capazes de ser simpáticos em relação aos grandes homens, admirar-lhes os feitos e aprender com eles. É preciso uma grande dose de humildade para ser grande.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estratégia Social XXXIX

Autoridade Nata

Baltasár Gracián: É de uma força superior, secreta. Não deve emanar de artificialismo enfadonho, mas de um domínio natural. Todos se submetem a ela sem saber por quê, reconhecendo o secreto vigor da autoridade nata. Tais pessoas têm um caráter altivo: reis por mérito, leões por direito natural. Cativam o respeito, o coração e até a mente dos outros. quando abençoados com outros dons, nascem para ser excelentes políticos. São capazes de realizar mais com uma insinuação do que outros com prolixidade.

ATENA: Alguns indivíduos possuem tal força de caráter e tal expressividade na linguagem que comunicam naturalmente sua dominância aos demais. Isso independe de tratarmos de um Ghandi ou de um Mobutu. Cabe aos de valores humanitários e de caráter íntegro exercitarem-se na arte de expressar seus valores, acreditando na grandeza do ser humano e nas possibilidades de ação e criação de que somos imbuídos. A autoridade é um exercício interno e externo, um exercício de integração da personalidade com a atitude, tal qual a liderança.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Estratégia Social XXXVIII

Nunca exagerar


Baltasar Gracián: Não é sensato usar superlativos. Ofendem a verdade e desabonam o seu discernimento. Ao exagerar, desperdiçamos nossos elogios e mostramos limitação de conhecimento e gosto. O louver desperta a curiosidade, atiça o desejo e, mais tarde, quando se percebe que os bens foram superestimados, como acontece muitas vezes, a esperança traída vinga-se menosprezando o elogiado e aquele que elogiou. Os cautos têm comedimento, preferindo pecar pouco a muito. Raras são as eminências, portanto tempere sua apreciação. A ênfase é uma forma de mentir. Pode arruinar nossa reputação de bom gosto e, ainda pior, de sabedoria.

ATENA: O uso excessivo de superlativos termina por banalizar o fenomenal e por superestimar o medíocre. A comunicação se perde num nivelamento idêntico de todos os assuntos, pessoas e experiências. Nem tudo é incrivelmente fantástico ou pessimamente horrendo e não é necessário ter uma opinião bombástica sobe um assunto de menor importância. O pior que pode ocorrer nos exageros é perdermos a sutil e poderosa capacidade de surpreender.

terça-feira, 29 de março de 2011

Estratégia Social XXXVII

Ter a simpatia dos outros

Baltasar Gracián: É ótima conquistar a admiração geral, mas melhor ainda é conquistar a afeição. Depende-se, em toda parte, da sorte, o resto é esforço. Começa-se com aquela e continua-se com este. Não basta a excelência dos dotes, embora se suponha com frequência que é mais fácil ganhar afeto depois de se ganhar a estima. A benevolência depende da beneficência. Pratique todo tipo de bem: boas palavras e ações aidna melhores. Ame, para ser amado. É com cortesia que os grandes cativam os outros. Estenda primeiro a mão aos feitos e depois à pena. Da espada às letras, pois há também a simpatia dos escritores, e esta é eterna.

ATENA: De nada adianta enveredar pelo caminho fácil - e pouco meritório - da competição aberta a todo custo com todos e a todo tempo. Desperdiça-se energia, oportunidades e crescimento no vão afã de granjear um mérito egocêntrico que possui uma força gravitacional fortíssima no que tange a inimizades, desconfianças e ataques. Procure fazer sempre o bem a todos que lhe cruzarem o caminho, florear e embelezar sua passagem pela vida alheia para que cada vez mais pessoas se interessem a andar ao teu lado. Principalmente as de belo caráter, que nos instigam a seguir cada vez mais pelo caminho meritório onde boas forças se conjuguem na realização de tuas obras.

terça-feira, 1 de março de 2011

Estratégia Social XXXIV


Identificar e saber usar a insinuação

Baltasar Gracián: é o ponto mais sutil do convívio humano. Pode ser usado para sondar os ânimos e perscrutar discretamente o coração. Há insinuação maliciosa, agressiva, tingida com as ervas da inveja, untada com o veneno da paixão: um relâmpago invisível capaz de nos tirar toda a graça e a estima. Muitos perderam o convívio superior e inferior devido a uma única palavra; há insinuações que, por serem favoráveis, agem ao contrário, sustentando e apoiando nossa reputação. Porém, é preciso tanta cautela para aparar tais dardos quanto é a má intenção que os lança. Recebê-los com cuidado, aguardá-los com atenção. Uma boa defesa requer conhecimento. Um tiro prevenido pode ser frustrado.

ATENA: Identificar a insinuação é o que distingue entre manter-se na aparência ou degustar a sabedoria da sintonia fina na comunicação. Nem sempre é possível ou mesmo desejável dizer tudo às claras. Mensagens cifradas direcionadas a apenas um ou poucos entre uma multidão de ouvintes muitas vezes sanam enormes problemas. Através dela podemos perceber o que há nas entrelinhas do que é comunicado. Isso pode envolver tom de voz, postura, modulação das sílabas nas palavras, movimentos oculares, expressões faciais ou quaisquer outros dados que sejam perceptíveis a alguém que tenha já calibrado o falante em um momento natural, descontraído. Tudo é treinamento. Em programação neurolingüística saber usar a insinuação seria uma forma estratégica de "reframing".