sexta-feira, 17 de junho de 2011
Estratégia Social XLII
Baltasár Gracián: Odiamos gratuitamente alguém, mesmo antes de conhecer-lhes as qualidades. E às vezes tal aversão espontânea se volta para os homens eminentes. Que a prudência a controle: não há maior descrédito do que detestar os superiores. Tanto é vantajoso tratar co msimpatia os heróis, quanto desonroso tratá-los com antipatia.
ATENA: Estarmos atentos às nossas antipatias e simpatias inconscientes e "naturais" é observarmos nossos padrões internos de identidade e aversão. Em geral quando não nutrimos uma boa relação com algo que nos é completamente estranho, é porque esse algo "estranho" nos revela algo de nós mesmos que não gostaríamos de ver. O que nos importa em relação à Liderança e Estratégia é justamente focarmos em nossas metas e na melhor maneira de nos encaminharmos em direção a elas. Se uma pessoa pode nos auxiliar ela é um possível "sócio" em nossa empreitada, se essa mesma pessoa não pode nos auxiliar em nada, preocuparmo-nos com ela ou sentirmos antipatia por ela é, apenas, perda de tempo, energia e foco.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Estratégia Social XLI

Usar, mas não abusar, das intenções ocultas
Baltasar Gracián: E, acima de tudo, não as revelar. Todo artifício deve ser disfarçado, pois desperta suspeita, em especial as intenções ocultas, que são odiosas. O engano é comum, portanto previna-se.. Mas esconda sua cautela dos outros, para que não percam a confiança. Uma vez patente a cautela ofende os outros e induz vingança, despertando males não imaginados. Agir refletidamente nos dá uma grande vantagem. Nada proporciona mais alimento para o pensamento. A maior perfeição de uma ação depende da maestria com que a executamos.
ATENA: Nem todas as intenções podem ser patentes à primeira vista. Para que tudo chegue a um bom término é preciso que algumas metas só se tornem claras no momento oportuno. E saber observar toda a dinâmica das variáveis envolvidas no sistema em que nossa meta se encontra é a única forma de percebermos o melhor momento, a ocasião mais oportuna de se esclarecer todos os intentos. Muitas metas jamais chegariam a ver a luz se não tivessem sido devidamente escondidas nas trevas por um grande período de "incubação" interna. Algumas intenções são mais robustas e não se ferirão ou perderão forças com o convívio social, outras, no entanto, necessitam de maior cuidado e atenção para que cresçam sadias e desenvolvam todo o seu potencial.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Estratégia Social XL
Baltasar Gracián: O Herói se combina com heróis. Tal capacidade, chamada simpatia, constitui uma maravilha da natureza, por ser tão misteriosa quanto benéfica. Existe afinidade de coração e de temperamento, e os efeitos da simpatia se parecem com os que o vulgo atribui às poções mágicas. Essa simpatia, além de nos ajudar a ganhar a estima, faz com que os outros se inclinem para nós, granjeando rapidamente sua boa vontade. Persuado sem palavras, conquista sem mérito. Existem a simpatia ativa e a passiva, e ambas operam maravilhas quando ornadas de qualidades sublimes. Requer grande habilidade conhecê-las, distingui-las e tirar proveito delas. Não há esforço que baste se não houver tal privilégio misterioso.
ATENA: É comum, em nossa sociedade hipercompetitiva, que se esqueça o foco principal do trabalho e que o indivíduo se perca em observar o vizinho com desdém, desconfiança e medo. Essa é a mentalidade de um covarde e um covarde não tem méritos. O medo gera a intolerância e o ódio, que alimenta a inveja e a competitividade sem foco. Essa espécie de competitividade é característica de quem perde o foco na meta e transforma o que vê como "concorrente" na meta. É a estratégia básica do medroso querer que todos vivam na insegurança como forma de mascarar sua própria ausência de foco, de plano, de criatividade ou autonomia. Só os corajosos, só os autônomos e verdadeiramente conscientes de si e de suas capacidades são capazes de ser simpáticos em relação aos grandes homens, admirar-lhes os feitos e aprender com eles. É preciso uma grande dose de humildade para ser grande.
terça-feira, 29 de março de 2011
Estratégia Social XXXVII
Baltasar Gracián: É ótima conquistar a admiração geral, mas melhor ainda é conquistar a afeição. Depende-se, em toda parte, da sorte, o resto é esforço. Começa-se com aquela e continua-se com este. Não basta a excelência dos dotes, embora se suponha com frequência que é mais fácil ganhar afeto depois de se ganhar a estima. A benevolência depende da beneficência. Pratique todo tipo de bem: boas palavras e ações aidna melhores. Ame, para ser amado. É com cortesia que os grandes cativam os outros. Estenda primeiro a mão aos feitos e depois à pena. Da espada às letras, pois há também a simpatia dos escritores, e esta é eterna.
ATENA: De nada adianta enveredar pelo caminho fácil - e pouco meritório - da competição aberta a todo custo com todos e a todo tempo. Desperdiça-se energia, oportunidades e crescimento no vão afã de granjear um mérito egocêntrico que possui uma força gravitacional fortíssima no que tange a inimizades, desconfianças e ataques. Procure fazer sempre o bem a todos que lhe cruzarem o caminho, florear e embelezar sua passagem pela vida alheia para que cada vez mais pessoas se interessem a andar ao teu lado. Principalmente as de belo caráter, que nos instigam a seguir cada vez mais pelo caminho meritório onde boas forças se conjuguem na realização de tuas obras.
terça-feira, 1 de março de 2011
Estratégia Social XXXIV
Baltasar Gracián: é o ponto mais sutil do convívio humano. Pode ser usado para sondar os ânimos e perscrutar discretamente o coração. Há insinuação maliciosa, agressiva, tingida com as ervas da inveja, untada com o veneno da paixão: um relâmpago invisível capaz de nos tirar toda a graça e a estima. Muitos perderam o convívio superior e inferior devido a uma única palavra; há insinuações que, por serem favoráveis, agem ao contrário, sustentando e apoiando nossa reputação. Porém, é preciso tanta cautela para aparar tais dardos quanto é a má intenção que os lança. Recebê-los com cuidado, aguardá-los com atenção. Uma boa defesa requer conhecimento. Um tiro prevenido pode ser frustrado.
ATENA: Identificar a insinuação é o que distingue entre manter-se na aparência ou degustar a sabedoria da sintonia fina na comunicação. Nem sempre é possível ou mesmo desejável dizer tudo às claras. Mensagens cifradas direcionadas a apenas um ou poucos entre uma multidão de ouvintes muitas vezes sanam enormes problemas. Através dela podemos perceber o que há nas entrelinhas do que é comunicado. Isso pode envolver tom de voz, postura, modulação das sílabas nas palavras, movimentos oculares, expressões faciais ou quaisquer outros dados que sejam perceptíveis a alguém que tenha já calibrado o falante em um momento natural, descontraído. Tudo é treinamento. Em programação neurolingüística saber usar a insinuação seria uma forma estratégica de "reframing".
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Estratégia Social XXXIII
Baltasar Gracián: Para poder agir e para se empenhar. É bobagem alguém de quarenta anos pedir saúde a Hipócrates e bobagem ainda maior pedir prudência a Sêneca. Reger a sorte é uma arte, seja esperando - pois ela às vezes não se apressa -, seja aproveitando-se dela quando é oportuna, embora nunca vá entender totalmente o seu proceder bizarro. Se a sorte o tem favorecido, prossiga com ousadia, uma vez que ela adora os ousados e, como uma mulher deslumbrante, os jovens. Se é um azarado, abstenha-se de agir. Retire-se e evite de falhar duas vezes. Se a dominou, você deu um grande passo à frente.
ATENA: Antes de qualquer empreitada há que se observar o quadro geral das questões periféricas envolvidas. Observe as circunstâncias ao redor e dentro. Aos otimistas é tão comum tomar decisões ou traçar metas observando apenas uma parte dos fatores, seja externa (bom momento no mercado, "bolhas" e "booms", circunstâncias estruturais facilitadoras, promoções etc) ou interna (boa saúde, disposição, entusiasmo), quanto aos pessimistas. A diferença está, sempre, no foco e o problema, sempre, no excesso. O otimista inveterado se joga do penhasco sem ver as pedras no fundo das águas, o pessimista crônico pode não sair do lugar por nada. Avaliar a sorte é observar a vida de forma sistêmica, integrada. Muito mais um exercício complexo do que uma simples idéia.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Estratégia Social XXXI
Baltasar Gracián: Seu dom de destaque. Cultive-o e incentive os demais. todos alcançariam a excelência em alguma coisa se conhecessem sua qualidade dominante. Identifique o rei dos seus atributos e se dedique a ele com afinco. Alguns se destacam no discernimento, e outros, na coragem. Os demais violentam a sua aptidão e não alcançam a superioridade em nada. Deixam-se cegar e lisonjear pelas paixões até que - tarde demais! - o tempo as desminta.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Estratégia Social XXIX
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Estratégia Social XXVII
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Equilíbrio Emocional e Gestão

“Vivemos em uma época perigosa. O homem domina a natureza, antes que tenha aprendido a dominar a si mesmo.”Albert Schweitzer – Francês, Teólogo, médico, escritor, prêmio Nobel da Paz.
Vivemos num universo do trabalho que se caracteriza pela multidisciplinaridade e, principalmente no que tange ao universo do trabalho, o melhor recurso, aquele sem o qual nenhuma empresa é capaz de se erguer ou sustentar por longo tempo, é o recurso que cria, que sente, que observa e induz, que é capaz de surpreender e se desenvolver sempre, o recurso humano. Então como trabalhar esse material, como desenvolvê-lo para que esteja sempre se superando quando a única certeza que podemos ter sobre as pessoas é a de que elas são totalmente diferentes?
João quer um aumento de salário, Pedro férias prolongadas, Marta gostaria de uma sala maior, Sônia uma placa com seu nome, Rubens gostaria que seu chefe olhasse nos seus olhos, lhe apertasse a mão e dissesse com franqueza “bom trabalho”. Seres humanos são diferentes, suas perspectivas, desejos e expectativas também.
Compreender a personalidade dos funcionários ajuda os administradores e conselheiros das organizações a aproveitar as diferenças individuais para facilitar o trabalho em equipe, para favorecer o desenvolvimento das competências e melhorar o desempenho.
Trabalhando a psique no ambiente de trabalho
O ambiente de trabalho não deve ser apenas o ambiente em que se materializa o produto que se espera comercializar, mas principalmente o espaço onde o produtor se torna cada vez mais apto e interessado em produzir constantemente novas idéias, projetos e concepções dentro do que se espera dele.
O ambiente de trabalho é ambiente de aprendizado, principalmente para a mente. Grande parte da carga emocional que nos impulsiona e nos desafia a aprender se apresenta nesse ambiente. Não seria interessante utilizá-lo conscientemente para esse fim?
A estabilidade emocional do funcionário
Segundo Rolland in L’évaluation de La personnalité: le modèle en cinq facteurs (2004), o fator “estabilidade emocional” se relaciona com um sistema de percepção da ameaça, real ou simbólica, e com a reatividade a essa ameaça. Essa reação a ameaça, a instabilidade que se cria para reagir à real ou imaginária ameaça, é composta pelas dimensões a seguir:
- Ansiedade
- Cólera
- Depressão
- Timidez social
- Impulsividade
- Vulnerabilidade ao estresse
As pessoas que apresentam maior estabilidade emocional apresentam geralmente uma atitude calma e ponderada. Na linguagem corrente, diz-se que essas pessoas sabem guardar seu “sangue-frio” nas situações estressantes. No limite, elas podem parecer despreocupadas e indiferentes diante dos acontecimentos.
Certos ofícios ou profissões exigem um nível particularmente elevado de estabilidade emocional; é o caso dos bombeiros, dos policiais, do pessoal que trabalha com emergências em hospitais, dos soldados, professores da rede pública que trabalham em comunidades dominadas pela criminalidade etc.
As pessoas em que esse traço está pouco presente têm, pelo contrário, tendência a ter em vista o pior, a se preocupar com tudo e por uma ninharia, a ter uma imagem pouco valorizada delas mesmas e tendem a experimentar, com freqüência, afetos negativos tais como o medo, a vergonha e a tristeza. Da mesma forma, essas pessoas seriam mais propensas a vivenciar a angústia psicológica.
O convite à aventura
“A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos.” – Marcel Proust. Escritor, autor de Em busca do tempo perdido.
A abertura para a experiência corresponde, de modo geral, ao interesse pela novidade. Embora este fator seja, muitas vezes, associado à inteligência, os dois termos não são sinônimos. A abertura para a experiência pode corresponder às fantasias, à estética, aos sentimentos, às ações e às idéias.
As pessoas de espírito muito aberto têm vários campos de interesse e procuram experiências novas. Elas preferem, de longe, a mudança à rotina. Muitas vezes podem ser percebidas como excêntricas ou rebeldes.
Indivíduos pouco abertos à experiência, pelo contrário, são atraídos pelas atividades concretas e práticas. Dada sua preferência marcante pela estabilidade, essas pessoas podem parecer rígidas.
Amabilidade e competição
A amabilidade é uma dimensão que serve para regular a tonalidade das relações e das trocas com o outro. As dimensões da amabilidade são:
- Confiança no outro
- Retidão
- Altruísmo
- Complacência
- Modéstia
- Sensibilidade aos outros
As pessoas caracterizadas por um alto nível de amabilidade mostram-se sensíveis às necessidades e às preocupações dos outros, mostram-se cooperativas e conciliadoras. Elas também são percebidas como pessoas doces e amigáveis. No limite, essas pessoas podem ter dificuldade para se defender no meio de um grupo.
Quanto às pessoas pouco agradáveis, muitas vezes podem expressar-se de forma egocêntrica e pouco empática. Elas se caracterizam, igualmente, por algum grau de frieza e agressividade. Em geral elas privilegiam um approach competitivo nos seus relacionamentos.
O caráter consciencioso
Este último caráter corresponde à assiduidade, à organização e à perseverança nas condutas orientadas para um objetivo. Este fator seria constituído pelas seguintes dimensões:
- Competência
- Organização
- Sentido do dever
- Procura do êxito
- Autodisciplina
- Deliberação
As pessoas muito conscienciosas atribuem uma importância muito grande ao êxito. Elas valorizam, notadamente, a pontualidade, os esforços e a disciplina. Quando esse fator é muito marcado, a pessoa pode ser percebida como muito aferrada ao trabalho, cheia de melindres e rígida.
Pelo contrário, um indivíduo muito pouco consciencioso dificilmente suportará as obrigações impostas pelo trabalho e tenderá a deixar para mais tarde as tarefas mais difíceis. Esses indivíduos serão percebidos pelas pessoas conscienciosas como tendo dificuldades para respeitar seus compromissos e como pessoas pouco confiáveis.
Identificar cada um desses padrões – em nós mesmos e nos nossos funcionários, e aprender em quais pontos podemos nos desenvolver para formarmos não apenas a concepção melhor de quem somos perante nós mesmos e nossas vidas, mas diante dos desafios do trabalho no mundo atual – é tarefa primordial de cada um de nós e um desafio salutar, enobrecedor e capaz de equilibrar, de forma dinâmica e intensa, nossas emoções, pensamentos e ações.Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
Para equilíbrio emocional conheça:
A Jornada do Herói
Para gestão inteligente de recursos humanos conheça:
Estratégia em Ação (Módulo básico)
Liderança Corporativa e PNL
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Estratégia Social XIX
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O Processo de Tomada de Decisão
Para compreender o mecanismo de tomada de decisão vamos separar o tema central em outros quatro: problema da objetividade, a origem do conhecimento, a percepção e a inteligência (cognição).
Da consciência ao conhecimento
O conceito de percepção está, há muito tempo, vinculado ao problema do conhecimento. Desde a antiguidade, a começar por Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-327 a.C.), os filósofos se interrogam sobre algo que constitui uma característica essencial da espécie humana: a busca por conhecimento.
Para Aristóteles os sentidos fornecem os elementos necessários ao conhecimento e a razão os organiza, para torná-los inteligíveis. Segundo essa perspectiva existe o mundo, o dado da experiência concreta, e o julgamento diferente dos seres humanos é a fonte dos erros e mal-entendidos.
Objetividade e subjetividade
Quando se olha atentamente a questão da objetividade e da subjetividade percebe-se que o grande problema reside no fato de se ligar a objetividade à idéia de neutralidade, imparcialidade, verdade única e inteira e, logicamente, compreender-se a subjetividade como arbitrária, desigual e imaginativa. Acabamos transformando a questão em um problema moral, o que não é um passo muito inteligente.
Sabemos que na vida real, no dia a dia, nem tudo é "preto no branco" e mesmo a tal "objetividade imparcial" precisa de uma análise que abarque todas as possíveis variáveis envolvidas no processo decisório e isso é impossível. A objetividade prática é impossível. O que não quer dizer que não seja um bom ideal a ser buscado.
Aprendemos, nos negócios, que toda escolha exige abrir mão de algo em prol de outra coisa – que por algum ou alguns motivos específicos seja mais valioso para nós do que o que estamos abrindo mão - , mas parece que muitas vezes aprendemos isso só para depois enganarmos a nós mesmos crendo que seguimos fazendo várias escolhas lógicas, objetivas e imparciais. Caso essas escolhas existissem não diria que "todos", mas a maioria das pessoas fariam as mesmas escolhas e teriam resultados semelhantes. Sabemos que o mundo não é "preto no branco" assim.
No mundo real temos dois pontos importantes a considerar:
1. Ceticismo radical: Não podemos estar radical e absolutamente certos de coisa alguma (o imprevisto é sempre um fator a se considerar).
2. Senso comum: Podemos estar certos de alguma coisa mesmo que essa certeza não seja absoluta.
A partir dessa consciência é que podemos nos dedicar à tomada de decisão. Afinal, admitir que nossa decisão pode não ser inexoravelmente única e óbvia é abrir caminho para operarmos com novas possibilidades e estarmos mais atentos às mudanças nos quadros estratégicos e nas circunstâncias que envolvem a tomada de decisão. Optar por crer numa objetividade pura e simples é ater-se a uma possibilidade só, empobrecer nossa visão da realidade e buscar um ideal inalcançável. Sem considerar que em geral encurralamos nossas opções.
Adeus às certezas
"O intelecto humano não é luz pura, pois recebe influência da vontade e dos afetos, donde se poder gerar a ciência que se quer. Pois o homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Rejeita as dificuldades levado pela impaciência da investigação, a sobriedade, porque sofreia a esperança; os princípios supremos da natureza em favor da superstição; a luz da experiência em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras, paradoxos, por respeito à opinião do vulgo. Enfim, inúmeras são as formas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente se insinua e afeta o intelecto. (...) do mesmo modo, se antes da descoberta do fio da seda alguém houvesse falado: há uma espécie de fio para a confecção de vestes e alfaias que supera de longe em delicadeza e resistência e, ainda em esplendor e suavidade o linho e a lã, os homens logo se poriam a pensar em alguma planta chinesa, ou no pêlo muito delicado de algum animal ou na pluma ou penugem das aves, mas ninguém haveria de imaginar o tecido de um pequeno verme tão abundante e que se renova todos os anos. Se alguém se referisse ao verme teria sido objeto de zombaria, como alguém que sonhasse com um novo tipo de teia de aranha." – Francis Bacon
Segundo Laing (1966) a percepção é fruto de três fatores:
1. Do próprio estímulo
2. Da interpretação do estímulo graças às atividades cognitivas
3. Dos fenômenos psíquicos associados a esse estímulo, como a projeção
Vamos explicar como esses fatores constroem e influenciam a noção de "certeza", necessária para a tomada de decisões. A ilusão da certeza é explicada não apenas no plano psicológico mas também no plano biológico. A consciência gerada pela percepção gera fatalmente o sentimento de objetividade, os três fatores acima explicam esta "ilusão".
Em primeiro lugar nenhum de nós tem consciência de todas as atividades do sistema nervoso e mesmo que tivéssemos não teríamos como contabilizar os dados sensoriais que estimulam os receptores nem do tratamento a que o cérebro submete tais dados.
Em segundo lugar quando percebemos alguma coisa tampouco estamos conscientes da informação já memorizada que se ajunta aos dados sensoriais para completá-los, corrigi-los e lhes dar um sentido. Em outras palavras: não estamos conscientes dos sistemas de representação que são utilizados para construir as imagens presentes em nossas mentes.
Em terceiro lugar não temos consciência dos mecanismos de percepção subliminar que incorporam dados sensoriais à representação mental da situação.
Por que estudar a percepção?
Tomada de decisão
O estudo da percepção leva à compreensão dos fenômenos da consciência, a qual constitui ao mesmo tempo o domínio das crenças e das emoções e, conseqüentemente, da racionalidade das condutas e da afetividade. Todos esses fatores influenciam a tomada de decisões e suas conseqüências. Compreender melhor a percepção possibilita que possamos engendrar de maneira mais estratégica nossas tomadas de decisão e nossas posturas frente a situações novas.
Motivação
O estudo da percepção desvenda as atividades da inteligência e coloca em relevo a riqueza da subjetividade do indivíduo; dessa forma revela as necessidades e os campos de interesse da pessoa e valoriza a lógica de seus comportamentos no contexto em que ela se encontra, facilitando o processo consciente e inteligente de motivação do sujeito.
Os seguintes treinamentos aprofundam noções e técnicas práticas sobre percepção e tomada de decisões:
Arte da Guerra Oriental
Estratégia em Ação – Módulo básico
Liderança Corporativa e PNL
Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
Arte em Treinamento Especializado e Neurolingüística Aplicada
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Incorporação estratégica na rotina
(ou "Quem tem medo da Rotina?")
Por mais que nossa sociedade seja bombardeada pela idéia de fluidez dos meios e da velocidade do fluxo de informações e inovações, a rotina é inevitável. De início podemos pensar nas necessidades humanas de auto-preservação: comer, beber, dormir, e a partir daí rumarmos ao infinito com Maslow e as necessidades inerentes à psique humana: pertencimento, acalanto, segurança etc.
Para além do discurso estrategicamente difundido de que nenhuma rotina é possível - o que serve bem para manter uma atmosfera de inovação infinita e impulsiona a venda de produtos ou idéias – há a estrutura da rotina necessária, seja para a manutenção do aparato orgânico do indivíduo, seja para o funcionamento dos fluxos (também orgânicos) de uma empresa.
A importância do Ritual
Desde a sociedade imperial na Roma Antiga, já se tinha ciência da importância da rotina. Na sociedade romana o mito foi progressivamente esvaziado de significação, enquanto o rito, o ritual começou a ser supervalorizado. Porque isso? Se o mito, a narrativa sagrada, é de origem grega, o rito é de origem latina. Etimologiacamente relacionado ao védico rta, o latino ritus é o exato e correto agir segundo um modelo tradicional rigorosamente determinado. Ele se define em relação a seus opostos: o adjetivo in-ritus, “não-fixado”, “vão”, “sem eficácia”; e o advérbio in-rite, “inutilmente”, “sem eficácia”; sendo assim o rito é a ação eficaz por excelência. E o que é a rotina, senão um ritual diário?
Em uma cultura como a romana, orientada no sentido linear da história e não no sentido cíclico da passagem mítica do tempo, e, portanto, orientada pela ação humana, é óbvio que o rito, o ritual, tenha que assumir uma posição privilegiada e tornar-se uma gramática simbólica, baseada em signos e ações, como também objetos e espaços.
Seja dentro de um universo corporativo gigantesco, seja dentro de uma pequena empresa, a cultura local é que determina os signos, ações, objetos e espaços que alavancam o pertencimento e a atmosfera do trabalho. Por isso é importante saber identificar e trabalhar com essa cultura.
A rotina inteligente
Se a rotina é inevitável e o mundo continua em perpétua mudança, como adequar essas duas realidades? Como já foi dito antes, a idéia de que a rotina é impossível porque não se adéqua a um universo de aceleração crescente das novidades, processos, políticas e idéias serve apenas para criar uma desestabilização necessária para vender a possível estabilidade na forma produtos, cursos, políticas, campanhas. Não se pode vender soluções sem que haja problemas, é preciso trancar a porta para valorizar a chave.
Agora me questiono: o que ocorreria se deixássemos, obrigatoriamente, uma margem de manobra dentro da rotina? Que tipo de eficiência seria possível se, entre os processos gerenciais, inseríssemos um espaço necessário e rotineiro para a reestruturação da própria rotina? O que aconteceria se fôssemos obrigados, pela própria rotina, a observar nossa rotina em terceira pessoa e ver, ao invés de “nós” e “aqui”, “eles” e “lá”? Muito da lógica dos produtos de consultoria está imersa nessa questão de “ver de fora”, “ver em terceira pessoa”, porque é natural para os consultores, é a única visão possível, a princípio.
O que aconteceria, por exemplo, se efetuássemos uma perpétua revisão de nossas rotinas em comparação com as rotinas de nossos concorrentes ou parceiros? Talvez uma competitividade mais inteligente – visto que poderíamos comparar resultados e lógicas intrínsecas ao invés de simplesmente mimetizar processos que dinamizam o trabalho dentro de uma cultura corporativa diferente e talvez não funcionem dentro da nossa – talvez uma nova gestão que incorpore a mudança sem se desestabilizar e se ver necessitada das soluções vendidas pelos criadores de problemas.
Ferramentas inteligentes
A programação neurolingüística possui ferramentas que possibilitam tanto a incorporação estratégica da problematização dos processos gerenciais rotineiros com vias ao aprimoramento constante, quanto à criação de modelos gerenciais com a flexibilidade necessária à adequação dentro da cultura específica da empresa.
No Instituto ATENA, o curso Estratégia em Ação aborda especificamente esses temas, com soluções práticas e dinâmicas para uma implementação direta e eficaz, ignorando as armadilhas comuns do Mercado e a dissonância cognitiva e o atordoamento e perda de referenciais provocados propositalmente por ela.
Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
Arte em Treinamento Especializado e Neurolingüística Aplicada
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Estratégia Social XVII
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Estratégia Social XV
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Estratégia Social XIV
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Estratégia Social IX
Baltasár Gracián: A vida do homem consiste numa milícia contra a malícia do homem. A astúcia luta com estratégias de intenção. Nunca faz o que indica. Aponta para enganar, golpeia indiferente no ar e desfere o golpe, atuando sobre a realidade imprevista com dissimulação atenta. A fim de consquistar a atenção e a confiança dos outros, deixa transparecer um intento. Logo em seguida, porém, muda de posição e vence pela surpresa. A inteligência perspicaz previne-se da astúcia observando-a detidamente, espreita-a com cuidado, entende o oposto do que a astúcia quis que compreendesse e percebe de imediato as falsas intenções. A inteligência ignora a primeira intenção, aguardando a segunda, e até a terceira. A simulação cresce mais ainda ao ver seu truque descoberto e tenta enganar contando a verdade. Muda de jogo, engana com sua aparente falta de malícia. sua astúcia se baseia na maior franqueza. Mas a observação se adianta, discernindo através de tudo isso, percebendo as sombras envoltas em luz. Decifra a intenção, que mais parece singela. Assim é a astúcia da serpente Píton contra a franqueza dos penetrantes raios de Apolo.
ATENA: A disputa de malícias e inteligências faz parte do caldeirão de forças que se comungam quando colocamos seres humanos em contato. Todos temos nossos interesses e interesses são normais, inerentes à espécie humana. Quando um deseja conforto e precaução para a família outro deseja salvar a própria pele ou a própria honra mesmo sem considerar o que fosse mais justo para os demais. Nada disso impede que muitos lutem pela seriedade ou clareza nos processos administrativos, sejam públicos, sejam privados, ou pela vida de expécies em extinção. Apenas é necessário, nesse jogo, procurar as astúcias mais danosas ao coletivo e limitar seu raio de ação para que não venham a prejudicar o todo em salvaguarda de poucas partes. Perceber que a malícia vai usar do seu último recurso - falar a verdade - como artifício para manter-se de pé, é saber o momento exato em que ela pode ser exposta e, se necessário, aniquilada.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Estratégia Social VII
Baltasar Gracián: Seja o convívio amigável uma escola de erudição e torne a conversação instrutiva. Faça dos amigos instrutores e combine a utilidade da aprendizagem com o gosto da conversa. Alterne a fruição com a instrução. O que você diz será recompensado com aplausos; o que ouve, com aprendizado. O que nos leva aos outros, em geral, é nossa própria conveniência; aqui ela tem um sentido maior. Os prudentes freqüentam as casas de renomados heróis que são mais palcos de heroísmo que palácios de futilidade. Alguns são notáveis pelos conhecimentos e bom senso; pelo exemplo e pelo modo de agir, são oráculos de toda grandeza. Aqueles que os cercam formam uma academia refinada de discrição e sabedoria elegantes.
ATENA: Toda associação deve trazer alguma espécie de riqueza e nem toda riqueza é financeira. Uma parceria pode ampliar o leque de habilidades de que se dispõe perante a vida e isso te amplia possibilidades. Cada ser humano tem uma perspectiva diferente da vida e conhecer bem uma pessoa que pensa de forma diversa à nossa é aumentar nossa compreensão sobre a vida e nossas possibilidades de interpretação e escolhas. A boa parceria é tão complementar quanto identitária. Buscamos identidade ao nível dos valores e variedade quando pensamos em habilidades e comportamentos.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Estratégia Social V
Baltasár Gracián: Toda derrota provoca ódio, e superar o chefe tanto é tolo quanto fatal. A supremacia é sempre detestada, em especial pelos superiores. O sábio deve ocultar as vantagens comuns, assim como se disfarça a beleza com um toque de desalinho. A muitos não incomoda ser superado em riqueza, caráter ou temperamento, mas ninguém, em especial um soberano, gosta que lhe excedam em inteligência. Trata-se, afinal, do maior dos atributos, e qualquer crime contra ele constitui lesa-majestade. Os soberanos querem sê-lo no que é mais importante. Os príncipes gostam de ser ajudados, mas não sobrepujados. Ao aconselhá-los, faça como se os lembrasse de algo esquecido, não como se acendesse a luz que ele é incapaz de ver. Os astros nos ensinam tal sutileza. São filhos e brilhantes, mas nunca rivalizam com o sol.
Estratégia Social IV
Baltasár Gracián: Ninguém nasce perfeito. Deve se aperfeiçoar dia a dia, tanto pessoal quanto profissionalmente, até se realizar por completo, repleto de dotes e de qualidades. Será reconhecido pelo requintado gosto, inteligência aguda, intenção clara, discernimento maduro. Alguns nunca se realizam, falta-lhes sempre alguma coisa. Outros requerem um longo tempo para se formar. O homem completo - sábio na expressão, prudente nas ações - é aceito, e até desejado para privar do seleto grupo dos discretos.
ATENA: O que se considera, aqui, como "perfeição" é o agir discreto, algo muito próximo da concepção chinesa de não-ação, oriunda da filosofia política e econômica de raiz taoísta. Seguir o fluxo das ações para apenas influenciá-lo no momento em que, simultaneamente, nós empreendamos o menor esforço possível para conseguir o maior resultado dando a menor impressão de termos influenciado no processo. É algo sublime que poucos líderes e estrategistas conseguem. Numa metáfora musical seria como o improviso no Jazz, sem que deixemos de ouvir e reconhecer, todos, a mesma música.


