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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Estratégia Social XLI


Usar, mas não abusar, das intenções ocultas

Baltasar Gracián: E, acima de tudo, não as revelar. Todo artifício deve ser disfarçado, pois desperta suspeita, em especial as intenções ocultas, que são odiosas. O engano é comum, portanto previna-se.. Mas esconda sua cautela dos outros, para que não percam a confiança. Uma vez patente a cautela ofende os outros e induz vingança, despertando males não imaginados. Agir refletidamente nos dá uma grande vantagem. Nada proporciona mais alimento para o pensamento. A maior perfeição de uma ação depende da maestria com que a executamos.

ATENA: Nem todas as intenções podem ser patentes à primeira vista. Para que tudo chegue a um bom término é preciso que algumas metas só se tornem claras no momento oportuno. E saber observar toda a dinâmica das variáveis envolvidas no sistema em que nossa meta se encontra é a única forma de percebermos o melhor momento, a ocasião mais oportuna de se esclarecer todos os intentos. Muitas metas jamais chegariam a ver a luz se não tivessem sido devidamente escondidas nas trevas por um grande período de "incubação" interna. Algumas intenções são mais robustas e não se ferirão ou perderão forças com o convívio social, outras, no entanto, necessitam de maior cuidado e atenção para que cresçam sadias e desenvolvam todo o seu potencial.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Estratégia Social XV

Não despertar expectativas

Baltasar Gracián: Aquilo que é muito celebrado raramente preenche a grande expectativa. Nunca o real pode alcançar o imaginado, porque devanear perfeições é fácil, difícil é consegui-las. O casamento da imaginação com o desejo concebe as coisas sempre muito melhores do que elas são de fato. Por maior que seja a capacidade, ela nunca será suficiente para satisfazer o preestabelecido, e aqueles que forem enganados pela expectativa exagerada são levados mais rapidamente à decepção do que à admiração. A esperança é a grande falsária da verdade; o bom-senso deve corrigi-la, procurando que a fruição seja maior que o desejo. Certa dose de crédito inicial deve servir para despertar a curiosidade, não para empenhar o objeto. É muito melhor quando a realidade supera as expectativas, e algo se revela melhor do que imaginamos à princípio. Esta regra não vale para coisas ruins: quando se exagera o mal, ao conhecer a realidade, aplaude-se. O que se temia como desastroso chega a parecer tolerável.

ATENA: Consiste em suprema sabedoria aplicar a pitada correta de divulgação do que se almeja dar à luz. Fechar os contatos certos, verificar a oportunidade correta e a forma adequada de fascinar ao espírito é a forma suprema de angariar os almejados aplausos dos bons. Pois a reverência dos pouco capacitados ou dos sem gosto não nos fornece quaisquer valia. O interessante é saber cativar profundamente, em diversos níveis simultâneos, aos poucos de inteligência e gosto apurados. Então é que o verdadeiro trabalho, de superar o feito anterior - que é sempre básico se comparado ao atual - começa.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Liderança e Maturidade

A marca da liderança

A verdadeira marca de um líder é a vontade de ficar com um curso de ação ousada - uma estratégia de negócios não convencionais, um roteiro de desenvolvimento de produtos únicos, uma campanha controversa - assim como o resto do mundo se pergunta por que você não está em marcha passo a passo com o status quo. Em outras palavras: os verdadeiros líderes criam suas próprias tendências e lógicas de trabalho enquanto outros vagueiam atrás dos modismos estrategicamente disseminados na mídia. Eles entendem que, numa era de hiper-concorrência e perturbações “non-stop”, a única maneira de se destacar da multidão é a favor de algo especial. Esse algo especial necessita de um envolvimento pessoal e isso só se dá de suas maneiras:

Paixão
O primeiro é obtendo um envolvimento afetivo no processo de liderança, ou seja, deixar-se “apaixonar” por ele. O envolvimento pode ser por meio da raiva represada por qualquer motivo, da agressividade que necessita encontrar vazão e lhe fornece energia extra para novos trabalhos, da paixão por uma determinada idéia, do carinho para com determinada empreitada ou causa. Sem paixão a liderança vira rotina e se perde no fácil caminho dos modismos. Crie seu diferencial, apaixone-se!

Caráter
É importante estabelecer o seu estilo e, para que ele possa ser mantido (principalmente por você), é imprescindível que ele tenha a ver com o seu caráter pessoal. Ninguém consegue passar a maior parte da vida (acostume-se com a idéia, a maior parte da sua vida você passa trabalhando) representando um papel. Só para mencionar alguns riscos, do mais leve para o mais grave: deficiência cognitiva (dificuldade de aprender, memorizar e raciocinar), perturbação do processamento da informação e da comunicação, crises existenciais, desestruturação da personalidade e por aí afora. Portanto, antes de mais nada, trate de se conhecer! Só conhecendo bem seus alicerces um líder pode saber onde e como pode também, servir como um para a sua meta (seja ela uma empresa, sua carreira ou um grande projeto em específico).

Saber nada sobre tudo ou saber tudo sobre nada?
Dificilmente alguém será bom o suficiente para ser “bom em tudo” hoje. Mesmo os que passam essa idéia gastam rios de recursos com seus assessores e marqueteiros para construir essa imagem surreal de si mesmos e acabam virando alvos não só de admiração, mas também da inveja e dos gracejos alheios. Quanto mais perto estamos desses super-profissionais mais percebemos os grandes sacrifícios que fazem para manterem sua altíssima performance. Em geral esses sacrifícios acabam culminando em infartos, ataques cardíacos, acidentes vasculares etc. Para manter uma saúde relativamente boa, digna de quem compreende que a liderança é um processo que comporta vários tiros de 200 e 400m antes que se possa olhar para trás e perceber que corremos os 42km de uma maratona, é importante percebermos o poder do foco e da oportunidade.


Foco
Que tal se concentrar em um diferencial que esteja diretamente ligado ao seu caráter enquanto indivíduo e à sua meta enquanto profissional? Você pode ser: o mais elegante, o mais eficaz, o mais confiável, o mais focado, o mais estável, o mais amigável, o mais flexível etc.
Durante décadas, as organizações e seus líderes eram confortáveis com as estratégias e práticas que os mantinham no meio da estrada - que é onde os clientes estavam, isso é, onde se sentiam seguros e tranqüilos. Isso exigia ser muito bom em muita coisa, para demonstrar diferenciais estando sempre no mesmo rumo de seus concorrentes.

No novo mundo dos negócios, com toda a pressão midiática e profissional sobre a “mudança” (o fato da palavra estar como um predicado solto é mais um dos inúmeros fatores de instabilidade na mente do funcionário e do líder corporativo, a tal “mudança”, imperativa e incerta, espreita como uma armadilha eterna num tabuleiro de xadrez cujas cores dos quadrados mudam como numa danceteria), com tantas novas maneiras de fazer quase tudo, o meio da estrada tornou-se a estrada para lugar nenhum.

"Não há nada no meio da estrada, só listras amarelas e tatus mortos." - Jim Hightower

Ao que poderíamos acrescentar que, atualmente, as empresas e seus líderes lutam para fora da multidão, até mesmo quando eles jogam pelas mesmas regras em um mercado lotado de concorrentes, variantes e estímulos.


Oportunidade
O conceito de “oportunidade” é estudado a fundo pelo renascentista e filósofo político italiano Nicolau Maquiavel e não é à toa que muitos dos grandes líderes de todos os tempos têm como livro de cabeceira obras suas como “O Príncipe” e “A Arte da Guerra”. A oportunidade, ou a “occasione” como o pensador florentino a chamava, era justamente a habilidade que o “condottieri” (o “condutor” ou “líder”) deveria desenvolver para identificar e também para – preferivelmente - criar a melhor situação possível para realizar uma determinada ação. Dentro de uma teoria dos sistemas seria encontrar (ou influenciar para que se forme) a melhor configuração possível para depois implementar uma mudança dentro do sistema. Não é à toa que muitos cientistas políticos, especializados na obra de Maquiavel, têm sido contratados para formular estratégias empresariais junto a grandes administradores.

Não pensar diferente nem igual, pensar por si
É difícil superar a força da sabedoria convencional - formas estabelecidas de fazer as coisas, as formas familiares dos tamanhos dos mercados, seus ditames e modismos. É por isso que é difícil para muitos dirigentes fazerem algo realmente novo, efetivamente abraçar idéias únicas e inovadoras em um mundo cheio de pasteurização do pensamento. Creio que esse pequeno texto possa ser uma descrição sumária de algumas funções de liderança hoje.

Que hajam os líderes institucionais, os chefes e diretores burocráticos, como cientista político compreendo muito bem sua existência, mas na era da informação insandecidamente rápida e desordenada, precisamos de cérebros criativos, de seres humanos capazes de efetivamente concatenar idéias em torno de um único fim e tudo isso de forma inusitada, que demonstre um diferencial que agregue valor. Perdoem-me os que já conhecem a idéia, mas a melhor forma de finalizar esse pequeno artigo me parece ser citando um dos nossos maiores gênios:

“Para mim a melhor definição de loucura é ter sempre o mesmo comportamento e esperar resultados diferentes” - Albert Einstein

Texto: Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
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Estratégia Social XIII

Variar no modo de agir

Baltasar Grácian: Isso vai confundir os outros, em especial seus rivais, despertando-lhes a curiosidade e a atenção. Se agir sempre de acordo com a primeira intenção, seu agir será previsível e frustrado. É fácil abater o pássaro que voa em linha reta, mas não aquele que altera o seu vôo. Não aja sempre conforme a segunda intenção, tãopouco; repita seu agir e os outros descobrirão a artimanha. A malícia fica à espreita, é preciso uma grande sutileza para enganá-la. O jogador perfeito nunca move a peça que se espera e muito menos a peça que seu adversário desejaria.

ATENA: Essa máxima se aplica específicamente no campo da ação, não no campo dos valores, das crenças ou de nossa identidade. Ao variarmos a forma de agir não só exercitamos como demonstramos nossa flexibilidade e criatividade, fazendo-nos adversários temíveis e estrategistas renomados entre nossos conhecidos. Poucas vezes temos a oportunidade de agir clara e retamente em direção ao nosso objetivo como quando ele é claro para nós e completamente obscuro aos nossos concorrentes. Agir de modo variado é, também, nublar o concorrente, submergi-lo no estado aparentemente caótico de nossas atitudes.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Estratégia Social II


Manter o suspense

Baltasar Gracián: O êxito inesperado ganha admiração. O que é óbvio não é nem útil nem de bom gosto. Não se declarar de imediato atiça a curiosidade, em especial se a posição é importante o bastante para causar expectativas. O mistério, por sua característica arcana, provoca veneração. Mesmo ao revelar evita a franqueza total e não permite que todos venham a franquear o teu íntimo. É no silêncio cauteloso que a sensatez se refugia. As decisões, uma vez declaradas, nunca granjeiam estima e expõem a censura. Se desacertadas, estará duplamente desgraçado. Se quiser atenção e desvelo, imite a divindade.


ATENA: O segredo, muitas vezes, é a alma do negócio. Numa sociedade onde a troca de informações é quase que uma necessidade, principalmente entre o setor que mais cresce da economia, que é o de bens e serviços, manter um segredo comercial ou industrial é um grande desafio. Tenha projetos secretos. Mencione-os imediatamente antes de dizer que eles são secretos e virão à tona quando lhes for mais propício. Alguns segredos de produtos ou campanhas de sucesso estão na forma, na disposição, mais do que no conteúdo explícito dos mesmos. Outros podem estar num ingrediente secreto, numa determinada atmosfera (luminosidade, cores e odores, rituais, discursos que acompanham o produto ou serviço) que envolve a relação com o projeto. O importante é estabelecer os diferenciais perceptíveis e os diferenciais, digamos, 'subliminares'. Um dos mais sábios ditados da máfia italiana diz: "O Capo (chefe) uma parte do plano a um, outra parte a outro, todas as partes a ninguém."