quinta-feira, 19 de maio de 2011
Estratégia Social XL
Baltasar Gracián: O Herói se combina com heróis. Tal capacidade, chamada simpatia, constitui uma maravilha da natureza, por ser tão misteriosa quanto benéfica. Existe afinidade de coração e de temperamento, e os efeitos da simpatia se parecem com os que o vulgo atribui às poções mágicas. Essa simpatia, além de nos ajudar a ganhar a estima, faz com que os outros se inclinem para nós, granjeando rapidamente sua boa vontade. Persuado sem palavras, conquista sem mérito. Existem a simpatia ativa e a passiva, e ambas operam maravilhas quando ornadas de qualidades sublimes. Requer grande habilidade conhecê-las, distingui-las e tirar proveito delas. Não há esforço que baste se não houver tal privilégio misterioso.
ATENA: É comum, em nossa sociedade hipercompetitiva, que se esqueça o foco principal do trabalho e que o indivíduo se perca em observar o vizinho com desdém, desconfiança e medo. Essa é a mentalidade de um covarde e um covarde não tem méritos. O medo gera a intolerância e o ódio, que alimenta a inveja e a competitividade sem foco. Essa espécie de competitividade é característica de quem perde o foco na meta e transforma o que vê como "concorrente" na meta. É a estratégia básica do medroso querer que todos vivam na insegurança como forma de mascarar sua própria ausência de foco, de plano, de criatividade ou autonomia. Só os corajosos, só os autônomos e verdadeiramente conscientes de si e de suas capacidades são capazes de ser simpáticos em relação aos grandes homens, admirar-lhes os feitos e aprender com eles. É preciso uma grande dose de humildade para ser grande.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Estratégia Social XXXIX
Baltasár Gracián: É de uma força superior, secreta. Não deve emanar de artificialismo enfadonho, mas de um domínio natural. Todos se submetem a ela sem saber por quê, reconhecendo o secreto vigor da autoridade nata. Tais pessoas têm um caráter altivo: reis por mérito, leões por direito natural. Cativam o respeito, o coração e até a mente dos outros. quando abençoados com outros dons, nascem para ser excelentes políticos. São capazes de realizar mais com uma insinuação do que outros com prolixidade.
ATENA: Alguns indivíduos possuem tal força de caráter e tal expressividade na linguagem que comunicam naturalmente sua dominância aos demais. Isso independe de tratarmos de um Ghandi ou de um Mobutu. Cabe aos de valores humanitários e de caráter íntegro exercitarem-se na arte de expressar seus valores, acreditando na grandeza do ser humano e nas possibilidades de ação e criação de que somos imbuídos. A autoridade é um exercício interno e externo, um exercício de integração da personalidade com a atitude, tal qual a liderança.
terça-feira, 1 de março de 2011
Estratégia Social XXXIV
Baltasar Gracián: é o ponto mais sutil do convívio humano. Pode ser usado para sondar os ânimos e perscrutar discretamente o coração. Há insinuação maliciosa, agressiva, tingida com as ervas da inveja, untada com o veneno da paixão: um relâmpago invisível capaz de nos tirar toda a graça e a estima. Muitos perderam o convívio superior e inferior devido a uma única palavra; há insinuações que, por serem favoráveis, agem ao contrário, sustentando e apoiando nossa reputação. Porém, é preciso tanta cautela para aparar tais dardos quanto é a má intenção que os lança. Recebê-los com cuidado, aguardá-los com atenção. Uma boa defesa requer conhecimento. Um tiro prevenido pode ser frustrado.
ATENA: Identificar a insinuação é o que distingue entre manter-se na aparência ou degustar a sabedoria da sintonia fina na comunicação. Nem sempre é possível ou mesmo desejável dizer tudo às claras. Mensagens cifradas direcionadas a apenas um ou poucos entre uma multidão de ouvintes muitas vezes sanam enormes problemas. Através dela podemos perceber o que há nas entrelinhas do que é comunicado. Isso pode envolver tom de voz, postura, modulação das sílabas nas palavras, movimentos oculares, expressões faciais ou quaisquer outros dados que sejam perceptíveis a alguém que tenha já calibrado o falante em um momento natural, descontraído. Tudo é treinamento. Em programação neurolingüística saber usar a insinuação seria uma forma estratégica de "reframing".
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O Processo de Tomada de Decisão
Para compreender o mecanismo de tomada de decisão vamos separar o tema central em outros quatro: problema da objetividade, a origem do conhecimento, a percepção e a inteligência (cognição).
Da consciência ao conhecimento
O conceito de percepção está, há muito tempo, vinculado ao problema do conhecimento. Desde a antiguidade, a começar por Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-327 a.C.), os filósofos se interrogam sobre algo que constitui uma característica essencial da espécie humana: a busca por conhecimento.
Para Aristóteles os sentidos fornecem os elementos necessários ao conhecimento e a razão os organiza, para torná-los inteligíveis. Segundo essa perspectiva existe o mundo, o dado da experiência concreta, e o julgamento diferente dos seres humanos é a fonte dos erros e mal-entendidos.
Objetividade e subjetividade
Quando se olha atentamente a questão da objetividade e da subjetividade percebe-se que o grande problema reside no fato de se ligar a objetividade à idéia de neutralidade, imparcialidade, verdade única e inteira e, logicamente, compreender-se a subjetividade como arbitrária, desigual e imaginativa. Acabamos transformando a questão em um problema moral, o que não é um passo muito inteligente.
Sabemos que na vida real, no dia a dia, nem tudo é "preto no branco" e mesmo a tal "objetividade imparcial" precisa de uma análise que abarque todas as possíveis variáveis envolvidas no processo decisório e isso é impossível. A objetividade prática é impossível. O que não quer dizer que não seja um bom ideal a ser buscado.
Aprendemos, nos negócios, que toda escolha exige abrir mão de algo em prol de outra coisa – que por algum ou alguns motivos específicos seja mais valioso para nós do que o que estamos abrindo mão - , mas parece que muitas vezes aprendemos isso só para depois enganarmos a nós mesmos crendo que seguimos fazendo várias escolhas lógicas, objetivas e imparciais. Caso essas escolhas existissem não diria que "todos", mas a maioria das pessoas fariam as mesmas escolhas e teriam resultados semelhantes. Sabemos que o mundo não é "preto no branco" assim.
No mundo real temos dois pontos importantes a considerar:
1. Ceticismo radical: Não podemos estar radical e absolutamente certos de coisa alguma (o imprevisto é sempre um fator a se considerar).
2. Senso comum: Podemos estar certos de alguma coisa mesmo que essa certeza não seja absoluta.
A partir dessa consciência é que podemos nos dedicar à tomada de decisão. Afinal, admitir que nossa decisão pode não ser inexoravelmente única e óbvia é abrir caminho para operarmos com novas possibilidades e estarmos mais atentos às mudanças nos quadros estratégicos e nas circunstâncias que envolvem a tomada de decisão. Optar por crer numa objetividade pura e simples é ater-se a uma possibilidade só, empobrecer nossa visão da realidade e buscar um ideal inalcançável. Sem considerar que em geral encurralamos nossas opções.
Adeus às certezas
"O intelecto humano não é luz pura, pois recebe influência da vontade e dos afetos, donde se poder gerar a ciência que se quer. Pois o homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Rejeita as dificuldades levado pela impaciência da investigação, a sobriedade, porque sofreia a esperança; os princípios supremos da natureza em favor da superstição; a luz da experiência em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras, paradoxos, por respeito à opinião do vulgo. Enfim, inúmeras são as formas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente se insinua e afeta o intelecto. (...) do mesmo modo, se antes da descoberta do fio da seda alguém houvesse falado: há uma espécie de fio para a confecção de vestes e alfaias que supera de longe em delicadeza e resistência e, ainda em esplendor e suavidade o linho e a lã, os homens logo se poriam a pensar em alguma planta chinesa, ou no pêlo muito delicado de algum animal ou na pluma ou penugem das aves, mas ninguém haveria de imaginar o tecido de um pequeno verme tão abundante e que se renova todos os anos. Se alguém se referisse ao verme teria sido objeto de zombaria, como alguém que sonhasse com um novo tipo de teia de aranha." – Francis Bacon
Segundo Laing (1966) a percepção é fruto de três fatores:
1. Do próprio estímulo
2. Da interpretação do estímulo graças às atividades cognitivas
3. Dos fenômenos psíquicos associados a esse estímulo, como a projeção
Vamos explicar como esses fatores constroem e influenciam a noção de "certeza", necessária para a tomada de decisões. A ilusão da certeza é explicada não apenas no plano psicológico mas também no plano biológico. A consciência gerada pela percepção gera fatalmente o sentimento de objetividade, os três fatores acima explicam esta "ilusão".
Em primeiro lugar nenhum de nós tem consciência de todas as atividades do sistema nervoso e mesmo que tivéssemos não teríamos como contabilizar os dados sensoriais que estimulam os receptores nem do tratamento a que o cérebro submete tais dados.
Em segundo lugar quando percebemos alguma coisa tampouco estamos conscientes da informação já memorizada que se ajunta aos dados sensoriais para completá-los, corrigi-los e lhes dar um sentido. Em outras palavras: não estamos conscientes dos sistemas de representação que são utilizados para construir as imagens presentes em nossas mentes.
Em terceiro lugar não temos consciência dos mecanismos de percepção subliminar que incorporam dados sensoriais à representação mental da situação.
Por que estudar a percepção?
Tomada de decisão
O estudo da percepção leva à compreensão dos fenômenos da consciência, a qual constitui ao mesmo tempo o domínio das crenças e das emoções e, conseqüentemente, da racionalidade das condutas e da afetividade. Todos esses fatores influenciam a tomada de decisões e suas conseqüências. Compreender melhor a percepção possibilita que possamos engendrar de maneira mais estratégica nossas tomadas de decisão e nossas posturas frente a situações novas.
Motivação
O estudo da percepção desvenda as atividades da inteligência e coloca em relevo a riqueza da subjetividade do indivíduo; dessa forma revela as necessidades e os campos de interesse da pessoa e valoriza a lógica de seus comportamentos no contexto em que ela se encontra, facilitando o processo consciente e inteligente de motivação do sujeito.
Os seguintes treinamentos aprofundam noções e técnicas práticas sobre percepção e tomada de decisões:
Arte da Guerra Oriental
Estratégia em Ação – Módulo básico
Liderança Corporativa e PNL
Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
Arte em Treinamento Especializado e Neurolingüística Aplicada
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Incorporação estratégica na rotina
(ou "Quem tem medo da Rotina?")
Por mais que nossa sociedade seja bombardeada pela idéia de fluidez dos meios e da velocidade do fluxo de informações e inovações, a rotina é inevitável. De início podemos pensar nas necessidades humanas de auto-preservação: comer, beber, dormir, e a partir daí rumarmos ao infinito com Maslow e as necessidades inerentes à psique humana: pertencimento, acalanto, segurança etc.
Para além do discurso estrategicamente difundido de que nenhuma rotina é possível - o que serve bem para manter uma atmosfera de inovação infinita e impulsiona a venda de produtos ou idéias – há a estrutura da rotina necessária, seja para a manutenção do aparato orgânico do indivíduo, seja para o funcionamento dos fluxos (também orgânicos) de uma empresa.
A importância do Ritual
Desde a sociedade imperial na Roma Antiga, já se tinha ciência da importância da rotina. Na sociedade romana o mito foi progressivamente esvaziado de significação, enquanto o rito, o ritual começou a ser supervalorizado. Porque isso? Se o mito, a narrativa sagrada, é de origem grega, o rito é de origem latina. Etimologiacamente relacionado ao védico rta, o latino ritus é o exato e correto agir segundo um modelo tradicional rigorosamente determinado. Ele se define em relação a seus opostos: o adjetivo in-ritus, “não-fixado”, “vão”, “sem eficácia”; e o advérbio in-rite, “inutilmente”, “sem eficácia”; sendo assim o rito é a ação eficaz por excelência. E o que é a rotina, senão um ritual diário?
Em uma cultura como a romana, orientada no sentido linear da história e não no sentido cíclico da passagem mítica do tempo, e, portanto, orientada pela ação humana, é óbvio que o rito, o ritual, tenha que assumir uma posição privilegiada e tornar-se uma gramática simbólica, baseada em signos e ações, como também objetos e espaços.
Seja dentro de um universo corporativo gigantesco, seja dentro de uma pequena empresa, a cultura local é que determina os signos, ações, objetos e espaços que alavancam o pertencimento e a atmosfera do trabalho. Por isso é importante saber identificar e trabalhar com essa cultura.
A rotina inteligente
Se a rotina é inevitável e o mundo continua em perpétua mudança, como adequar essas duas realidades? Como já foi dito antes, a idéia de que a rotina é impossível porque não se adéqua a um universo de aceleração crescente das novidades, processos, políticas e idéias serve apenas para criar uma desestabilização necessária para vender a possível estabilidade na forma produtos, cursos, políticas, campanhas. Não se pode vender soluções sem que haja problemas, é preciso trancar a porta para valorizar a chave.
Agora me questiono: o que ocorreria se deixássemos, obrigatoriamente, uma margem de manobra dentro da rotina? Que tipo de eficiência seria possível se, entre os processos gerenciais, inseríssemos um espaço necessário e rotineiro para a reestruturação da própria rotina? O que aconteceria se fôssemos obrigados, pela própria rotina, a observar nossa rotina em terceira pessoa e ver, ao invés de “nós” e “aqui”, “eles” e “lá”? Muito da lógica dos produtos de consultoria está imersa nessa questão de “ver de fora”, “ver em terceira pessoa”, porque é natural para os consultores, é a única visão possível, a princípio.
O que aconteceria, por exemplo, se efetuássemos uma perpétua revisão de nossas rotinas em comparação com as rotinas de nossos concorrentes ou parceiros? Talvez uma competitividade mais inteligente – visto que poderíamos comparar resultados e lógicas intrínsecas ao invés de simplesmente mimetizar processos que dinamizam o trabalho dentro de uma cultura corporativa diferente e talvez não funcionem dentro da nossa – talvez uma nova gestão que incorpore a mudança sem se desestabilizar e se ver necessitada das soluções vendidas pelos criadores de problemas.
Ferramentas inteligentes
A programação neurolingüística possui ferramentas que possibilitam tanto a incorporação estratégica da problematização dos processos gerenciais rotineiros com vias ao aprimoramento constante, quanto à criação de modelos gerenciais com a flexibilidade necessária à adequação dentro da cultura específica da empresa.
No Instituto ATENA, o curso Estratégia em Ação aborda especificamente esses temas, com soluções práticas e dinâmicas para uma implementação direta e eficaz, ignorando as armadilhas comuns do Mercado e a dissonância cognitiva e o atordoamento e perda de referenciais provocados propositalmente por ela.
Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
Arte em Treinamento Especializado e Neurolingüística Aplicada
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Estratégia Social XVII
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Gestão Inteligente
A criação do Instituto Atena acontece em um momento extremamente oportuno, no qual lidamos com um contexto organizacional pautado por novas contradições, que as empresas atuais precisam superar ao definir e colocar em prática seus modelos de gestão, em especial de seus elementos humanos.
Autofagia do discurso do trabalho
Se por um lado as organizações nunca precisaram tanto daquilo que há de mais humano – criatividade, emoção, sensibilidade –, por outro, continuam estimulando a construção de ambientes de trabalho em que esse caráter encontra pouco espaço para prosperar, na medida em que acirram o individualismo, a competição entre as pessoas, intensificam o ritmo de trabalho e estreitam os vínculos entre desempenho e resultado.
Inadequação, incoerência e desgaste
Diversas pesquisas envolvendo profissionais da Recursos Humanos e estudos de casos em empresas nacionais apontam que as organizações brasileiras vêm seguindo tendências internacionais de mudanças em suas práticas de gestão de pessoas, destacando-se inovações nos processos de capacitação, desenvolvimento e retenção.
Não obstante o alinhamento a tais tendências, os achados de vários desses estudos nacionais revelam-se cautelosos quanto à possibilidade de generalização dessas transformações para o conjunto das organizações brasileiras, as quais, em sua grande maioria, ainda se defrontam com modelos bem tradicionais de gestão. Isso sem considerar a cultura brasileira e mesmo a cultura de trabalho latina, criando um ambiente árido, inspirado em um modelo de gestão adequado a uma cultura diversa e sub-aproveitando nossos valores mais enraizados, como a coesão, o humor, a criatividade e o desempenho e crescimento que qualquer empresa nacional ou instalada aqui pode, a partir desses pontos, alcançar. Nossos concorrentes sabem disso e não é sem um propósito bem definido que nos forçam e insistem, diariamente, para limitarmos o que temos de melhor. Capital é investido nisso, muito capital, e ninguém investe capital sem um retorno, uma meta, um interesse.
Missão inteligente
Temos o compromisso de levar nossos treinandos e parceiros a compreender melhor seus próprios comportamentos e os dos outros, e também desenvolver relações interpessoais sadias e produtivas, tanto no trabalho como em suas vidas pessoais.
Compreendemos a necessidade urgente de repensar uma lógica de trabalho responsável pelo crescimento de fenômenos nocivos ao próprio trabalho, como o absenteísmo, o ataque à saúde mental dos funcionários, a perda do sentido do trabalho e o aparecimento de novos e graves problemas como o assédio moral.
A Programação Neurolingüística (PNL) constitui uma ferramenta fundamental para a direção das pessoas e para a gestão das organizações. Enquanto disciplina do comportamento, ela fornece maneiras de descrever, de compreender e mesmo, algumas vezes, prever as atitudes e os comportamentos dos administradores e funcionários. Contribui também para o aperfeiçoamento das práticas de administração ao ajudar as pessoas a encontrar sentido em seu trabalho e desenvolver habilidades interpessoais. O Instituto ATENA trabalha acompanhando as mais atuais descobertas e pesquisas da neurofisiologia, que permite compreendermos melhor os fenômenos da consciência, bem como os processos organizadores das condutas humanas, como a percepção, a motivação e a aprendizagem.
Renato Kress,
Diretor do Instituto Atena
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pensamento Estratégico e Gestão
A Teoria e o dia-a-dia
Em PNL temos a clara compreensão de que as teorias são úteis porque reduzem drasticamente a necessidade de armazenar grandes massas de dados individuais. Ninguém “levanta da cama, vai ao banheiro, desenrosca a tampa da pasta de dentes, põe pasta na escova, escova os dentes, toma uma ducha ou lava o rosto, vai até a cozinha, corta as laranjas, liga o espremedor na tomada...”, nós simplesmente “vamos ao banheiro” e “fazemos o café”. O resto está implícito.
Ibn Ruchd Averróis
O problema da “malícia inocente”
Eficácia Operacional e Estratégia
Esse tipo de concorrência, baseada em eficácia operacional, é mutuamente destrutiva, gerando atritos que somente podem ser detidos pela eliminação da concorrência. Afinal, o foco acaba sendo o concorrente e não mais o seu negócio especificamente. Todo esse quadro – infelizmente muito comum – gera a constante pressão por desempenho que, unida à falta de visão estratégica (que estudaremos, treinaremos e desenvolveremos ao longo de todo esse curso), impede que muitas empresas tenham qualquer idéia melhor do que a de comprar suas rivais. A fusão torna-se assim uma forma de eliminação de concorrentes, mostrando que o foco principal não estava numa estratégia orientada para uma vantagem competitiva, mas sim no “problema” que o rival representava ou poderia vir a representar num futuro próximo.
Definições e ilusões
No caso de haver apenas uma “posição ideal”, teríamos apenas que seguir alguns ajustes operacionais para nos adequarmos à melhor forma de atingir determinado objetivo fixo. Um bom exemplo disso está em personificarmos e endeusarmos uma instituição flexível, maleável e de altíssima rotatividade a fim de tentarmos rotulá-la para seguirmos passos que nos levariam a esses rótulos: perfeita, estável, livre, infalível, inevitável. Soa familiar? É o que os jornais, revistas e muitos livros fazem com o Todo-Poderoso “Mercado”, nosso Demiurgo – deus criador da realidade - contemporâneo, que ora acorda de mal-humor, depressivo, eufórico, tenso e por aí vai.
Como o exemplo acima demonstra, a concorrência dentro de um sistema complexo (sociedade, mercado, valores, cultura, família) não é um campeonato de futebol em que exista somente um “campeão” e, conseqüentemente uma meta ou um objetivo a alcançar. Nosso mundo – graças a Deus! - é mais complexo que isso e boa parte dessa noção de que tudo se resume à eficácia operacional é uma estratégia deliberada dos que pensam estrategicamente e, conseqüentemente, tendem a estar sempre à frente.
“A” Verdade Absoluta! (e as mentirinhas que a sustentam)
Precisamos descobri-la,
Depois de um trajeto
Que ninguém pode fazer por nós,
De que ninguém pode nos poupar.”
Marcel Proust
Diretor do Instituto Atena
Estratégia em Ação – Módulo básico
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O Morno: liderança e fluxo energético

1. Boa Alimentação (nutrição adequada)
2. Espaço para a manifestação e desenvolvimento de suas idéias
3. Sentir-se bem desafiado
4. Bom desacanso
5. Sentimento de pertença (familiaridade) com o trabalho
6. Envolvimento emocional com o trabalho
7. Sentir-se valorizado quando merece
8. Espaço e motivos para ampliação dos seus conhecimentos
Se buscarmos, apenas por uma questão de entendimento, divivir essas necessidades naturais do ser humano na posição de líder em formas mais fáceis de compreender, teríamos algo próximo da clássica leitura grega do ser humano sobre quatro elementos.
1. Boa alimentação
4. Bom descanso.
O corpo é o único instrumento de que dispomos para manifestar nossa vontade no mundo real. Nossos pensamentos, projetos e idéias não são escutados, nossos sentimentos não evocam nenhuma percepção, solidariedade ou asco a não ser por vias corporais. O corpo é nossa base e é cuidando dele que podemos trabalhar todos os outros aspectos de nosso ser.
Tanto para a alimentação como para o descanso a lógica permanece a mesma: é praticamente impossível, no ritmo de vida cotidiano, esperar efetivamente alimentar-se e descansar-se devidamente todos os dias, mas é perfeitamente possível e mesmo desejável orientar-se no sentido de "compensar" as faltas, tanto no que tange a nutrição quanto ao descanso. Virar a noite debruçado num projeto que exige nossa força de vontade, concentração e nos envolve emocionalmente é até prazerozo, mas após a entrega ou apresentação desse projeto o mais saudável a se fazer é tomar um bom chá calmante, apagar todas as luzes, tirar o telefone do gancho e deixar teu corpo te acordar.
Sob os aspectos, digamos "aquáticos", teremos:
5. Sentimento de pertença (familiaridade) com o trabalho
Sob os aspectos digamos, "aéreos", teríamos:
2. Espaço para a manifestação e desenvolvimento de suas idéias
8. Espaço e motivos para ampliação dos seus conhecimentos
Um trabalho realmente envolvente tem de possuir algum nível de desafio intelectual. Lidar com problemas de relacionamento de funcionários diariamente pode ser um nível de desafio interessante para alguns líderes, outros preferem organizar uma solução que minimize esse aspecto e abra espaço para novos e maiores problemas que, com certeza, surgirão.
É grande hoje em dia o número de empresas que investe na formação intelectual dos seus profissionais, pagando cursos de idiomas, faculdades, mestrados, doutorados etc. Algumas empresas chegam mesmo a criar suas próprias faculdades internas, como a Valer, da Vale. A ampliação de conhecimentos, a valorização da "prata da casa" deve ser sempre compatibilizada com o aumento do grau de desafio a que o funcionário está submetido, assim como é imprescindível que ele veja claramente a ligação entre o curso que está fazendo e o papel profissional que desempenha.
3. Sentir-se bem desafiado
Da mesma forma empreender uma jornada de trabalho, movimentar pessoas, idéias, relacionamentos, contatos, ferramentas e habilidades para alcançar um determinado patamar, fechar um determinado negócio ou produzir algo totalmente novo e inusitado e não ser devidamente valorizado é uma das maiores frustrações, um dos grandes motivos da proliferação de psicopatologias em profissionais de alto desempenho. É necessário que se possibilite, ao vencedor, sua devida parcela de "honra ao mérito" de ter realizado o que se propôs e que, fosse fácil ou difícil, antes não estava feito e agora está e está graças àquele que arregaçou as mangas, foi lá e fez.
Aprendemos a noção de equilíbrio desde cedo, no movimento do berço, no balanço que nina o bebê e modifica seu estado de espírito, seu humor. Futuramente levamos essa idéia de equilíbrio para conceitos mais abstratos como a justiça ou a saúde. Eventualmente podemos levar essa mesma noção à observação de um quadro, no seu equilíbrio de cores etc.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Estratégia Social V
Baltasár Gracián: Toda derrota provoca ódio, e superar o chefe tanto é tolo quanto fatal. A supremacia é sempre detestada, em especial pelos superiores. O sábio deve ocultar as vantagens comuns, assim como se disfarça a beleza com um toque de desalinho. A muitos não incomoda ser superado em riqueza, caráter ou temperamento, mas ninguém, em especial um soberano, gosta que lhe excedam em inteligência. Trata-se, afinal, do maior dos atributos, e qualquer crime contra ele constitui lesa-majestade. Os soberanos querem sê-lo no que é mais importante. Os príncipes gostam de ser ajudados, mas não sobrepujados. Ao aconselhá-los, faça como se os lembrasse de algo esquecido, não como se acendesse a luz que ele é incapaz de ver. Os astros nos ensinam tal sutileza. São filhos e brilhantes, mas nunca rivalizam com o sol.
Estratégia Social IV
Baltasár Gracián: Ninguém nasce perfeito. Deve se aperfeiçoar dia a dia, tanto pessoal quanto profissionalmente, até se realizar por completo, repleto de dotes e de qualidades. Será reconhecido pelo requintado gosto, inteligência aguda, intenção clara, discernimento maduro. Alguns nunca se realizam, falta-lhes sempre alguma coisa. Outros requerem um longo tempo para se formar. O homem completo - sábio na expressão, prudente nas ações - é aceito, e até desejado para privar do seleto grupo dos discretos.
ATENA: O que se considera, aqui, como "perfeição" é o agir discreto, algo muito próximo da concepção chinesa de não-ação, oriunda da filosofia política e econômica de raiz taoísta. Seguir o fluxo das ações para apenas influenciá-lo no momento em que, simultaneamente, nós empreendamos o menor esforço possível para conseguir o maior resultado dando a menor impressão de termos influenciado no processo. É algo sublime que poucos líderes e estrategistas conseguem. Numa metáfora musical seria como o improviso no Jazz, sem que deixemos de ouvir e reconhecer, todos, a mesma música.





